repórter

textos de Augusto Baptista

07 septembre 2013

A BULA III

  COMPRIMIDO I O Homem que caçou a deusa Levou a arma à cara. Cano virado para o céu, um tiro. A criatura, cega ao rumo que levava, caiu. -Busca, Flecha! -ordenou o caçador. A perdigueira, a abanar o rabo, fez-se ao monte. Breve regresso: na boca, Diana, morna ainda.
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06 septembre 2013

A BULA II - O HOMEM QUE JOGA TANGRAM

  O HOMEM QUE JOGA TANGRAM As sete figuras entraram-lhe em casa não sabe como, não sabe quando. Lembra-se, criança, de descobrir o jogo na gaveta do pichichi – como o Galrão, o vendedor, chamara ao móvel – dentro duma caixinha quadrada. Pouco liga ao achado. Rumor de tédio, hora de inquietação, uma noite vai espreitar. E acha interessante o despojamento dos recursos, em contraste com a claridade de tanta silhueta engendrada com aquilo. Peça acima, peça abaixo, peça a peça tenta resolver um dos casos. E de tal modo se... [Lire la suite]
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05 septembre 2013

A BULA

  Segue-se nos próximos dias a publicação dos Comprimidos Literários Prosa e Ilustração de Augusto Baptista & Titular da Autorização de Introdução no Mercado e Fabricante: www.correiodoporto.pt Este folheto foi aprovado pela última vez no dia 31 de agosto de 2013 Folheto este que está disponível na rubrica "BULA" no site supraciado      
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31 mai 2010

Azul-Canário

O Augusto Baptista tem também um novo blog.Visite o Azul-Canário!
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10 août 2007

A variante

   Tudo começa com um pequeno sobressalto no passeio: uma pedrita que salta. Saltando, se abriu uma ausência, a breve falha dum dente, no pavimento. O conflito entre os pés dos transeuntes e a covinha cria novos sobressaltos, saltitos, maiores ausências.    Quando o passeio se desdentou de todo, o chão subjacente breve se desfez num oco, se abriu numa ameaça, goela voraz de pernas partidas, mãos, braços. Num necrotério.    Só numa manhã, conta-se, foi engolida uma... [Lire la suite]
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10 août 2007

Requiem

   Reúnem-se à sombra serena das criaturas centenárias. São muitos, mas as árvores do aroma aquietante abrem-lhes os braços e, generosas, todos acolhem.    O contraste entre as soberanas figuras e aqueles homens a seus pés potencia o absurdo. Quem ali tem poder e manda é a ridícula pequenez. A ridícula pequenez a conspirar.    Agitados, os homens expelem apreciações. Alguns, para simularem vistas largas e fugirem ao desconforto de suas estaturas, recuam. Pose estudada,... [Lire la suite]
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10 août 2007

Identidade

 Atentando bem, é nesta gente derramada para fora do mercado e que escorre na ladeira lateral, sentada no murete, sentada no chão, nesta gente que parece ser de um outro tempo, não ser daqui, homens de chapéu, mulheres de escuro, lenço preto na cabeça, que propõem humildes couves a quem passa, cebolo, alhos para dispor, semente de alface, pés de tomate, árvores pequeninas para plantar, é nestas mãos gretadas, calosas, grossas como toqueiros, é daqui que ele suspeita derivar, é destes que ele sente ser... [Lire la suite]
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10 août 2007

Sedimentos

   Num tempo antigo os romanos alcançaram o lugar, rasgaram a paisagem com lajedo. E a velha estrada de pedra cavalgou o espaço, vertebrou a terra. Esta terra. Depois, a via verteu-se para o baixio, atravessado pela linha de água. Saltou o riacho. E os romanos foram-se por aí, caravanas de carros-de-bois e mulas, garranos e peões. Presença que o asfalto esconde, os olhos ignoram, resiste a velha ponte na área industrial de agora, visível rente à água que escorre. Rente ao cheiro.  Neste espaço de... [Lire la suite]
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10 août 2007

Encruzilhada

   O velho cidadão tinha um pensamento bíblico, de certo modo: tendia para as parábolas. Inquirido sobre o tempo alegorizava. Perguntado sobre o lugar divagou: Os gafanhotos chegaram em bando compacto e logo se juntaram aos outros no desfrute. Desde aí a aldeia se fez vila e assim sucessivamente. Sob o lema ‘Tudo pela ocupação, nada contra a concórdia’, as ruas foram baptizadas com nomes velhos e o semáforo posto a funcionar na medida do possível. Os buracos passaram a ser tapados ao ritmo conveniente,... [Lire la suite]
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10 août 2007

Os bravos

     Inopinado, o espaço sobressalta-se com um grito. Um uivo sem fim, estridente, cortante. De lés a lés a terra estremece, se cala. Sob a desgraça que paira no ar.  Nas ruas irrompem homens aflitos, em resposta à chamada raivosa. Percebe-se, nas respirações, no olhar, vontade de acudir. Um, outro, outro, correm, convocados pelo clamor.  A sirena!  Não tarda, labareda a varrer a estrada, dobra a esquina a velha carreta vermelha, sineta a retinir num desassossego metálico. Vai... [Lire la suite]
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