repórter

textos de Augusto Baptista

04 mai 2007

Aparição

Durante a viagem, ele dormitou todo o tempo, enrolado no banco. Depois o transbordo, espera demorada num terreiro despido. Quando enfim a camioneta chegou ao destino, saiu com os ossos gelados, mãos recolhidas nos bolsos clementes.   Os poucos transeuntes com quem se cruzou eram silhuetas sem rosto, a tiritar sob a névoa que as respirações adensavam. Súbito, saia fina e blusa vaporosa, pés descobertos, uma mulher! Acalorada, quase despida. Uma jovem mulher, provavelmente vinda do frio. Segue-a um tipo lãzudo, avantajado,... [Lire la suite]
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16 avril 2007

O Cachecol

Histórias de passagem - O cachecol                                                                                                                  ... [Lire la suite]
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19 novembre 2006

Pedras Parideiras

Texto de Augusto Baptista É um fenómeno espantoso, talvez único em todo o planeta. Na aldeia de Castanheira, perto de Arouca, em plena serra da Freita, aqui em Portugal, há pedras a parir pedra. O povo da região chama-lhes as pedras parideiras. E há quem diga que elas parem desde o princípio do Mundo. "Parecem pedreiros. Trazem martelos e andam por aí a partir pedra. Até os muros desfazem. E nós não podemos fazer nada". António Tavares José, presidente da Junta, anda desolado. Principalmente ao... [Lire la suite]
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07 novembre 2006

Incontornável é a luz de New York

Tempos livres sugerem-me viagens, partida, descoberta. E, para mim, partir é uma necessidade. Uma obsessão. Quase um modo de vida. Via aérea é como eu mais gosto de viajar. Já visitei a Índia, já mergulhei nas praias de destinos exóticos, já fui aos Andes. Sem ostentações, posso dizê-lo, já dei várias vezes a volta ao mundo. África, América, Europa, Oceania, Ásia são, no meu caso, destinos frequentes. Passo a vida a voar. Sou um doente das viagens aéreas. Um incondicional do voo. Felizmente nasci com recursos para praticar... [Lire la suite]
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31 octobre 2006

Invicta?

No coração do Porto, várias fachadas acordaram amortalhadas por painéis descomunais em exaltação da cerveja. É o reino do lúpulo a desfraldar bandeiras na pátria das uvas. De Capital do Trabalho, desde tempos recuados, o Porto passou, em 2001, a Capital Europeia da Cultura. Em 2002, abre-se a novos desafios: Capital Nacional do Copo. De cerveja. AB   In Notícias Magazine de 29 de Setembro de 2002
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31 octobre 2006

Ocasos portuenses

Ao lusco-fusco, de regresso a casa, vejo um fulano no passeio, a aproximar-se. Pela mão traz uma motorizada e, quando nos cruzamos, aborda-me, visivelmente constrangido:   — Acabou-se-me a gasolina. Se me pudesse...   Mão sem pensar: 1 euro. E continuo o meu caminho, agora a ponderar no embaraço da situação do outro, na austeridade da minha ajuda, nos inesperados contratempos da vida.   Dias passados, anteontem precisamente, ao lusco-fusco, de regresso a casa, vejo um fulano no... [Lire la suite]
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29 octobre 2006

O essencial

Vi televisores, poltronas, livros, brinquedos, camas, revistas, carros, sanitas, roupa, sapatos, espelhos. Vi de tudo já, no lixo. Vivemos numa sociedade que transforma todas as coisas — todas, incluindo nós próprios — em lixo. Essencial é saber-lhe a qualidade: se sim, se não, biodegradável. AB In Notícias Magazine
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29 octobre 2006

Salvar o sorriso

Até nós chegaram alguns velhos quiosques do Porto. Refiro-me aos modelos antigos, feitos em madeira, como o que sobrevive, de boa saúde e no activo, no Largo de Mompilher. Só para o ver, falar com o senhor Vergílio Ferreira, guardião do espécime, é obrigatório visitar o lugar. No Largo da Ramadinha, mesmo ao lado da Churrascaria América, frente ao jardim de S. Lázaro, aí também existia um soberbo sobrevivente. Restaurado há poucos anos, levou sumiço. Na rotunda da Boavista, encerrado, degradado, agoniza um exemplar... [Lire la suite]
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29 octobre 2006

Acasos do dia

Conheço um arrumador, diria até que dele sou amigo, tantos os meses que cruzamos presença e as boas tardes, numa das ruas do Porto. Pelo modo como os dias o definham, advinho-a nas malhas da droga. Esta semana, num dos nossos cruzamentos, no passeio havia altercação: um fulano, vermelhusco, trôpego nos gestos e na voz, queria varrer à estalada a mulher, a mãe da mulher, o mundo. Foi então que o meu amigo me olhou, baço, judicioso: — O álcool é fodido!   AB  In Notícias Magazine n.º 531 -... [Lire la suite]
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28 octobre 2006

Parlez vous Français?

Junto ao n.º 147 da Praça da República, um pouco acima do nível do passeio e encravada na frontaria esbranquiçada do prédio, uma caixa clara. Na tampa, ruídos visuais garatujados a negro e, em discreto relevo sob uma chama estilizada: VANNE GAZ. Descaído à esquerda, em círculo: EN CAS DE DANGER ENFONCER et POUSSER LE BOUTON ROUGE. À senhora do 1.º andar, perguntámos o que era aquilo e o que lá estava escrito. «É a caixa do gás». Mais não sabia, nem lhe interessava: «No prédio só o 2.º e o 3.º é que usam. Eu tenho... [Lire la suite]
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