repórter

textos de Augusto Baptista

17 octobre 2006

Um ás da sobrevivência

 De uma prole de 27, a fome e a doença dizimaram 20. Joaquim Lopes sobreviveu à hecatombe familiar e cresceu com esse jeito ganhador. Aos 12 anos era ardina de sucesso; aos 30, o lendário "Lopes dos jornais". E depois de transitar por dois empregos de fato e gravata, aos 60 abraçou a profissão de trintanário. Texto de Augusto Baptista   «As pessoas dizem que a farda me fica bem por eu ser muito alto, tipo inglês. Segundo vim a saber, um hotel requer à porta uma pessoa assim». Discurso... [Lire la suite]
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12 octobre 2006

Um homem do TEP

Trabalhou com António Pedro, com todos os nomes, nas últimas décadas do TEP. Bilheteiro, ponto, contra-regra, guardião de memórias, Vidal Valente é rosto discreto de uma companhia que insiste em experimentar teatro.   Texto de Augusto Baptista «Eram dois. Um para o texto, outro para ver. Tocou-me algumas vezes abrir a cortina: Vossas Excelências dão licença de iniciarmos o ensaio? Na sala já estava tudo preparado. O que lia o texto precisava de um apoio, uma mesa com luz. O outro só via os... [Lire la suite]
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10 octobre 2006

Mestre Pedrosa

A vida dos homens, podendo animar longos romances, cabe quase sempre em poucas palavras. No caso de mestre Pedrosa, bastam duas: trabalho, honradez. Para o retrato ficar completo, só mais um pormenor: é sogro da Rosa Mota.   Fotografia e texto Augusto Baptista   «Gosto dela como pessoa e como família. Não distingo a Rosa das minhas filhas». Vindo de quem vem, o alcandorar de Rosa Mota ao pódio familiar dos Pedrosas equivale a uma medalha olímpica. Mestre Pedrosa é um apaixonado pelas... [Lire la suite]
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02 octobre 2006

O Seringador

Desde os anos 60, João de Almeida Arrepia é a alma d'O Seringador, folheto centenário que elegeu como figura emblemática um barbudo e emplumado desinfestador de sociais mazelas. 1   Texto de Augusto Baptista   À primeira vista, tudo suporia desencontro. Ele, asa celeste, nado em 1936, chão de Foz Côa, estudante em Vinhais e em Macau. Ela, nascimento no Porto em 1866, pendor terreno, vocação anticlerical. Mas quis a sorte que cruzassem destinos. Foi na Lello que ambos se encontraram, nos anos... [Lire la suite]
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02 octobre 2006

A árvore de pé descalço

 Tronco dobrado sob o molho da carqueja, Palmira de Sousa foi, durante quase meio século, a fantástica figuração de uma árvore de pé descalço a caminhar no Porto, fustigada pela mais inclemente exploração. 1                                                                      ... [Lire la suite]
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30 septembre 2006

O tocador de trombone

Entre as artes gráficas e a música, Domingos Vieira gastou 73 anos. Um novato, comparado com os 120 — quase a fazer — da sua filarmónica: a Banda Marcial da Foz do Douro.                                                                                ... [Lire la suite]
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28 septembre 2006

O retrato do retratista

Entre as muitas possibilidades que a fotografia suscita, o retrato sempre foi a sua primeira opção. Profissional com 81 anos de «puro amadorismo», Fernando Aroso é — na palavra de António Pedro — «um admirável artista que é preciso conhecer». 1   Texto de Augusto Baptista   Caminha inquieto, enquanto por gestos indica o trajecto para a entrada do estúdio: «Tenho de o fotografar à minha maneira», magica. O outro senta-se, olhos ... [Lire la suite]
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27 septembre 2006

O camarada doutor

Nos primeiros anos de Angola independente, decaiu o tratamento por senhor, senhora, sob a onda camarada. A ânsia colectiva de igualdade, fraternidade, liberdade, pautava então as relações. António Cadete Leite, médico do Porto e professor de Anatomia, não escapou à regra: era o camarada doutor. 1   Texto Augusto Baptista    Manhã de 1978, bem cedo, o funcionário entra-lhe de rompante pelo... [Lire la suite]
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25 septembre 2006

Humor em Abel Salazar

De Abel Salazar prevalece a imagem do circunspecto cientista e professor da Escola Médica do Porto, do artista grave, cores penumbrosas e térreas, desenhos cinza-carvão, cobre martelado... E no entanto — artista da vida, permanente deslumbre pela Mulher, investigador emérito, homem de causas — Abel Salazar foi um cultor da alegria luminosa, um devoto do riso, faceta menos conhecida da sua obra. Mestre plural, vida de 57 anos — nasceu em Guimarães, 1889, faleceu em Lisboa, 1946 — «a necessidade sôfrega de estar... [Lire la suite]
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25 septembre 2006

Mãos iluminadas

Reformada, avó, viúva, decidiu aprender artes decorativas, depois pintura. E de repente, aos 70 anos, nascia um nome incontornável na arte naïf: Maria Vilaça.    Presente no universo da arte há meia dúzia de anos, as suas criações já correm mundo, constam do acervo de museus, são conhecidas e apreciadas entre coleccionadores e especialistas. E das muitas escolhas que o comprido nome lhe proporcionaria para assinar as... [Lire la suite]
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