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textos de Augusto Baptista

18 mai 2007

Hálitos


                                                                                                                                                            

A conversa entre as duas segue animada. Grudaram na garagem, enquanto esperavam e, sentadas banco com banco, não param de falar agora, na viagem. Falam delas, traficam intimidades, como se tivessem andado na mesma escola.

A menos exuberante, pendor hipocondríaco, chora os gastos na farmácia, enumera padecimentos. De entre todos, um lhe inferniza a existência: os maus hálitos. Os maus hálitos, como ela diz e repisa.

Tal ouvindo, a outra fixa a paisagem lateral a diluir-se na vidraça chuviscada, achega-se mais à janela. Ao perceber a manobra, a padecente aquieta:

– O meu problema não é tanto da boca. É mais dos pés.

 

Por Augusto Baptista

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