repórter

textos de Augusto Baptista

12 octobre 2006

Curros Galegos

Todos os anos, com o aproximar do Verão, a Galiza cumpre o cerimonial festivo da Rapa das Bestas. Em datas e locais que a tradição fixou, os criadores vão por recônditas serranias em busca dos seus cavalos, recolhem-nos, agrupam-nos e, aos poucos — regatos a engrossarem um rio caudaloso — a manada anima-se em corrente pelos montes, alvoroço de relinchos e galopes, desde o amanhecer. Pelo fim da manhã, manto irrequieto anunciado por nuvens de pó, tropel que cresce, se avizinha, a turba desagua no destino. Correnteza... [Lire la suite]
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12 octobre 2006

Um homem do TEP

Trabalhou com António Pedro, com todos os nomes, nas últimas décadas do TEP. Bilheteiro, ponto, contra-regra, guardião de memórias, Vidal Valente é rosto discreto de uma companhia que insiste em experimentar teatro.   Texto de Augusto Baptista «Eram dois. Um para o texto, outro para ver. Tocou-me algumas vezes abrir a cortina: Vossas Excelências dão licença de iniciarmos o ensaio? Na sala já estava tudo preparado. O que lia o texto precisava de um apoio, uma mesa com luz. O outro só via os... [Lire la suite]
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11 octobre 2006

Garrano ameaçado!

José Leite, médico veterinário e o responsável pela defesa do cavalo Garrano, alerta: «Se morrerem os incentivos aos criadores, morre o Garrano!».   Garrano ameaçado! 1   Dos filmes de far west recordamos manadas de cavalos a galope, incendiando a pradaria. O fascínio, para sempre gravado na memória! Mas, para vivenciar um quadro assim, não é preciso ir ao cinema, não é preciso ir à América: bastará um pulo ao Minho, uma ida à serra, ao Parque Nacional da Peneda Gerês. Aí, com o respeito que nos... [Lire la suite]
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10 octobre 2006

Cándido Pazó

Cándido Pazó 1 — a palavra   Texto de Augusto Baptista Si he sufrido la sed, el hambre, todo lo que era mío y resultó ser nada, si he segado las sombras en silencio, me queda la palabra.   Blas de Otero in En el principio     No sossego de uma moradia do pacato bairro Norton de Matos, em Coimbra, sala luminosa, olhar debruçado sobre o novo estádio de futebol da Académica, a entrevista com Cándido Pazó: momento para desvendar segredos sobre o... [Lire la suite]
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10 octobre 2006

Mestre Pedrosa

A vida dos homens, podendo animar longos romances, cabe quase sempre em poucas palavras. No caso de mestre Pedrosa, bastam duas: trabalho, honradez. Para o retrato ficar completo, só mais um pormenor: é sogro da Rosa Mota.   Fotografia e texto Augusto Baptista   «Gosto dela como pessoa e como família. Não distingo a Rosa das minhas filhas». Vindo de quem vem, o alcandorar de Rosa Mota ao pódio familiar dos Pedrosas equivale a uma medalha olímpica. Mestre Pedrosa é um apaixonado pelas... [Lire la suite]
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09 octobre 2006

Antônio Vieira

Antônio Vieira usa chapéu: na cabeça e no nome. O circunflexo é coisa de registo; o adereço capital é opção de artista, marca de criador de cordel de tipo novo — remoçado, diz —, que propõe pensar lógico, transformar.  Texto de Augusto Baptista   Mordeu a pedra. À volta, todos, que poucos eram, suspensos no alvitre. Ouro! — assegurou Pedrão, garimpeiro velho. E no lugar donde esta veio, tem muitas! Logo abraços, implosão de alegria, júbilo amordaçado: para não despertar suspeita. Um caso... [Lire la suite]
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09 octobre 2006

Entrevista com Júlia Cota

(publicada na revista Notícias Magazine n.º 466, 29 de Abril de 2001) Chama-se...  o meu nome direito é Júlia da Rocha Fernandes de Sousa, mas, conhecida pelo artesanato, sou Júlia Côta Nasceu... em 1935, no dia 26 de Dezembro, no lugar de Souto de Oleiros, Galegos de  Santa Maria, Barcelos Obsessão... a mesa de trabalho, o barro Devaneio maior... sou-lhe sincera, do que eu gosto mesmo é de bacalhau, da badaninha do bacalhau com batatas e molho cozido (azeite, meia folha de... [Lire la suite]
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03 octobre 2006

Os reis da bicharada

Pequenos ou mesmo minúsculos em tamanho, gigantes em número e em idade, campeões no jogo do disfarce e do ardil, mestres na arte da sobrevivência, os insectos são os verdadeiros senhores do planeta. Cigarras, grilos, ralos, eles sim — muito mais provavelmente do que nós — serão naturais protagonistas nos distantes amanhãs que cantam. Texto de Augusto Baptista   Muito difundida é a ideia de que a bicharada animal já foi toda ela descoberta. Apesar deste muito generalizado entendimento, as coisas não são... [Lire la suite]
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02 octobre 2006

Poesia maior

Arquitecto de formação, Virgínio Moutinho é um obreiro de quimeras, a que chama brinquedos. Escultor de utopias, as suas obras aspiram ao perpétuo movimento, à concreta abstracção, ao pleno despojamento, ao paradoxo. E à síntese, na alquímica transmutação da forma em fumo, da substância em poesia. 1   Texto de Augusto Baptista   Há quatro anos, propôs para o Parque da Cidade, no Porto, um peixe metálico com quase dez metros, que andava debaixo de água e emergia, de tempos a tempos, com um jacto... [Lire la suite]
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02 octobre 2006

O Seringador

Desde os anos 60, João de Almeida Arrepia é a alma d'O Seringador, folheto centenário que elegeu como figura emblemática um barbudo e emplumado desinfestador de sociais mazelas. 1   Texto de Augusto Baptista   À primeira vista, tudo suporia desencontro. Ele, asa celeste, nado em 1936, chão de Foz Côa, estudante em Vinhais e em Macau. Ela, nascimento no Porto em 1866, pendor terreno, vocação anticlerical. Mas quis a sorte que cruzassem destinos. Foi na Lello que ambos se encontraram, nos anos... [Lire la suite]
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