repórter

textos de Augusto Baptista

24 octobre 2006

Comboio para Bragança


Por gosto, quando amigos meus, na transição dos anos 80/90, iam de avião para Bragança, apanhava eu o comboio em São Bento. Esperava-me um dia de viagem, curta demora, sempre achei, para o muito que ali se aprendia: a paisagem, as pessoas, as conversas, o comboio.

Frequentemente viajava com gente da zona, que assim se ligava ao mundo; e com pequenos lavradores, ida e vinda entre casa e a courela, nas abas da linha. Com eles comia, bebia — recusa era desconsideração — ouvia-lhes a vida. À conversa na língua universal da partilha e do sorriso, na súcia entravam turistas, vindos dos confins, só para fazerem a viagem. Aquela viagem.

Como foi possível, como consentimos o abate deste voo no Tempo?


AB

 In Notícias Magazine de 23 de Jun 2002

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